Se me vierem perguntar quantas foram as vezes que já me aventurei a escrever sobre variados assuntos que são do meu interesse, não vou conseguir chegar a um número. Não faço mesmo ideia. Mais de uma dezena de vezes? Umas vinte? Cinquenta?
A verdade é que me sinto algo culpado do cemitério digital que já criei ao longo da minha não tão curta vida, mas ao mesmo tempo não consigo parar ou assentar num só sítio e ficar satisfeito com aquilo que por lá partilho. Mesmo enquanto escrevo estas palavras, sinto um misto de entusiasmo com total apatia e renúncia.
Entusiasmo porque é um começo, um género de “é desta que vai ser!” mas o que é que realmente tem de ser? O que é preciso fazer ou acontecer para que eu fique satisfeito por ter uma opinião sobre algo, escrever sobre essa opinião, conseguir articular ideias, e colocá-las num espaço onde várias pessoas, ou nenhuma, vão ler? E nem se trata de ter público, porque já tive e esta minha dualidade, no mínimo, de emoções continuava a assombrar-me.
Claro que a parte negativa de não sentir nada ao ver algo que escrevi a viver aí fora, e mesmo alguma auto-sabotagem estar constantemente no ativo, tem muito mais peso do que a parte positiva. Há sempre uma voz cá atrás que diz “para que raio estás a perder tempo a escrever algo quando podias estar a fazer nada?”. E mesmo agora na minha cabeça estou a concordar e a pensar “realmente, se calhar devia mas é estar quieto!”.
Se calhar isto até é bem comum. Porque infelizmente não temos o tempo ou até a energia para fazer tudo aquilo que queríamos, é uma constante batalha entre o escolher o que fazer e o que deixar de lado, e nunca fazemos nada. Ou nunca faço nada, só posso falar por mim.
Quando olho para trás, para tudo aquilo que já tentei criar e fazer, se tivesse realmente continuado e mantido algo mais que um par de meses, hoje de certeza que seria algo muito melhor fundamentado, com pernas para andar, que talvez visse todo o percurso e houvesse ali um outro sentimento a dar-me mais algum incentivo, o orgulho. “Ou então só vias que perdeste anos da tua vida e conquistaste nada!”.
O que também pode ser verdade… E que até hoje foi realmente a única verdade que existiu.
Talvez esta não seja a melhor atitude para se começar algo, porque parece que estou já a desistir, ou até a fazer um alerta para não depositarem muita confiança naquilo que aqui se vai criar. Como se estivéssemos a começar uma relação, e todas as bandeirolas vermelhas disparam e vão levar ghost quando menos esperam.
Mas bem pelo contrário! Opiniões tenho muitas, ideias também, e é tudo uma questão de me sentir satisfeito com pequenas vitórias. Ver mais filmes ou séries, é uma vitória. Jogar mais videojogos, ou não me aborrecer de quase 90% deles e nunca os acabar, outra! Conseguir voltar a ler e criar um hábito disso, mais uma vitória. Continuar a descobrir novos artistas e músicas e partilhar isso com toda a gente, bela vitória!
Se as vou conseguir alcançar? Não sei, mas tenho realmente vontade disso ou da ideia que isso me transmite. Ou talvez só precise de encontrar um ponto em que sinta que alcancei algo que me completa e tudo o resto vem naturalmente. Acho que só vos resta ficar por aí e ver onde é que isto vai dar.
